Magia Contemporânea & Urbanização

‘Sou filha do selvagem e do desconhecido.’ Sim, e é filha também do concreto, da Maria e do João, prima do Felipe e estuda Direito na faculdade pública.” (Lilo Assenci, em “As Consequências da Falta de Poesia na Bruxaria“.)


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Bênçãos, e boa jornada!


Bruxaria Contemporânea

Na selva de pedra, é impossível para uma pessoa, adepta do paganismo, praticar bruxaria de forma imersiva? Comecemos pelo fato de que a palavra “paganismo” vem do romano, paganus, que por muito tempo foi uma palavra utilizada para se referir pejorativamente a pessoas campestres, à margem de uma sociedade egocentrada em uma população urbana. Eu, com minha licença poética, acredito que seria um termo comparado ao termo “matuto”, utilizado hoje.

Com o passar dos tempos e com os avanços populacionais, tecnológicos e sociológicos, as pessoas, praticantes de religiões e espiritualidades pagãs, vêm ressignificando este termo. “Pagão” ou “pagã”, hoje em dia são termos utilizados orgulhosamente por quem professa alguma religião ou espiritualidade “da Terra”. E independente de onde, não dá para deixar fora do baralho da bruxa a carta da magia urbana, principalmente quando não se mora no campo. À primeira perspectiva, quando se fala em bruxaria contemporânea, se pensa em uma realidade totalmente oposta à que a bruxa “raiz”, ou seja, campestre, vive. Não é mesmo? Vamos desconstruir e desmistificar esta questão.

Seguindo, não é preciso que eu more no campo, cercado de verde, e me alimentando somente das coisas que a natureza dá para conseguir entrar em contato com a própria natureza. Que fique claro que ter uma vida campestre não é um problema, ou uma situação agravante. É maravilhoso, quando se pratica magia natural estar em contato com a natureza de forma mais ampla. Mas, por acaso, vou deixar de fazer magia natural e comungar com a natureza por morar em área urbana? Não. E vou deixar de aproveitar essa energia urbana para fazer magia? Menos ainda.

O ambiente facilita ou dificulta, obviamente – praticar magia natural em um bosque é muito mais magnífico do que em um quadrado de concreto. Mas não há impossibilidade, no que cabe à magia natural, enquanto um pedacinho do que entendemos por natureza estiver ao nosso redor. Cabe a nós percebermos como ela se manifesta e resiste em meio à selva de concreto… quem de nós ainda não reparou uma plantinha crescendo em um tijolo, ou no asfalto, trepadeiras em muros, e coisas do tipo? É um recado a nós, espiritualistas da natureza, de que ela se faz presente, e está lutando.

Por outra mão, ainda que estejamos em território essencialmente campestre, muitas vezes já temos bem presentes fenômenos ligados à “urbanização”. Com facilidade se encontra pousadas no campo com tevê a cabo e/ou sinal de internet, hoje em dia. O que estou querendo dizer é que na nossa realidade, fica mais difícil a cada momento dicotomizar, ou seja, dividir em dois mundos distintos, uma pessoa que pratica bruxaria entre bruxa campestre ou urbana. Até por quê, a natureza não deixa de estar ao nosso redor, ainda que na cidade. As plantas não param de crescer, as aves não param de cantar, o mar não para de ondular… o que é natural, consegue estar ao nosso alcance – ainda que em alguns casos, com um pouco mais de esforço. E ignorar as possibilidades magicas e energéticas do mundo urbano é, com a licença poética, novamente, ser muito é trouxa.

Aqui no Bruxo de Lua, eu sempre falo nos meus posts sobre buscar o equilíbrio. Não é à toa que o lema do blog é “Caminhando pela penumbra“. Nem totalmente à luz, e nem totalmente às sombras de algo, mas em um local onde sombras e luz se fundem… E como realidades complementares, rural e urbano também se complementam. A cada dia mais se vê de urbano no rural e de rural no urbano, e à medida que isto acontece, mais práticas são adaptadas. E isto é tão seguro quanto perigoso.

Seguro porque imerge as pessoas em uma realidade na qual não estão, necessariamente, acostumadas. Perigoso, porque há sempre o risco de colocar alguém de frente a uma ilusão, obra da euforia singular ou coletiva, como por exemplo o velho caso da pessoa que entra na bruxaria e começa a ver em tudo pseudo-manifestações divinas, ou coisa do tipo, o que na maioria das vezes é apenas a vida acontecendo, como exemplo “uma mariposa entrou no meu quarto, o que significa?“.

E é com o coração aberto, e cheio de humildade que digo que é necessário imergir um pouco mais para conhecer mais, saber o que está fazendo e evitar um desastre mágico.

Conecte-se ao Natural!

Como você pode se conectar à Água, por exemplo, se não há rios, lagos, fontes, perto? – Não é uma pergunta retórica. É um chamado a refletir. – E ao Fogo, como podemos nos conectar se não há chamas? Quanto ao Ar e a Terra, são elementos mais fáceis de se conectar, afinal temos um chão que nos sustenta e respiramos. Mas, isto é suficiente? – Mais uma vez, não se trata de retórica. Reflita.

Eu te digo: é possível se conectar a tudo. Tudo está em conjunção com tudo. Tudo é simbolismo. Tudo é simulacro. Desde que você assim veja, um isqueiro pode representar o elemento Fogo, tão bem quanto uma vela. E um espelho, quem sabe, a Água?! É óbvio que são representações, e só irão funcionar se, para você, fizer sentido. Tente ver o quanto de natural você consegue perceber no urbano. Quais elementos da cidade você pode associar à magia natural?

Depois disto, queria deixar algumas sugestões baseadas no ditado popular “se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé“. Ou seja, se você não tem possibilidade de estar em um ambiente mais “natural” do que o que você está, como se sente a respeito de trazer a natureza para mais perto de você? (Obviamente, se esta for uma questão de seu interesse. But, caso não seja, acredito que o que você procura não está aqui, em um blog de bruxaria.)

Traga o verde para mais perto!

Já considerou montar uma pequena estante de plantas ou ao menos ter um vasinho com terra e alguma planta, aos seus cuidados? E sobre fazer uma hortinha? Já pensou na possibilidade de utilizar ingredientes de sua própria horta nas suas magias, ou até mesmo para cozinhar? E ter um pouco da água de uma nascente, ou do mar, em um altar, para ancorar aquela energia? Já pensou em se conectar com alguma divindade mais ligada à natureza, e tentar percebê-la nos espaços mais naturais em uma área urbana?

Aproveite a urbanização ao seu redor!

Já parou para pensar que você não só pode como deve utilizar as vantagens tecnológicas que a urbanização te trouxe, para fazer magia?

Enquanto você luta pela preservação ambiental, faz a sua parte para fazer deste mundo um mundo melhor, onde as pessoas possam ter mais consciência natural, ecológica, animal, e tudo mais, é uma bobagem não utilizar o que está ao seu redor, de forma acessível, para fazer magia! Você acha que as bruxas antigas deixariam de utilizar a internet se pudessem ter acesso a todo o conhecimento que se tem hoje?

E se eu te lembrar que você pode enfeitiçar locais (muito cuidado com isto) com um bom fluxo de pessoas, utilizar redes eletromagnéticas de operadoras de celular como alimentação de um escudo mágico, contatar ancestrais daquele local (mais uma vez, cuidado), e muito mais? Experimente. Crie. Faça!

Eu acredito que quem deseja seguir sendo um bruxo ou bruxa urbana deve manter um compromisso de zelar pela área urbana, também. Quanto mais você se envolve com o seu material de trabalho, neste caso, o local onde você mora, mais você o conhece, e melhor se conecta. Que tal trabalhar magicamente no território da sua cidade? Protegendo-a, talvez, da forma que você conseguir colocar sua energia.

Leve em consideração que: uma coisa é proteger magicamente o seu quarto. Outra coisa é proteger magicamente uma capital, e quanto maior e/ou melhor a proteção, mais energia vai precisar utilizar. Bom-senso sempre!

Luã Musi

http://www.bruxodelua.com
@bruxodelua

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