Morte

Quando o primeiro ser vivo existia, eu estava lá, esperando. Quando o último ser vivo morrer, meu trabalho estará terminado. Vou colocar as cadeiras nas mesas, apagar as luzes e fechar o universo atrás de mim quando eu sair.” (“Morte“, em Sandman.)


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Bênçãos, e boa jornada!


Morte

E o que é a morte senão a continuidade da vida?

Quando falamos em “morte”, esta palavra já é suficiente para despertar em nós diversas sensações que na maioria das vezes são atreladas a uma conotação ruim. E isto se dá pelo fato de que, para a nossa cultura a morte é vista como um tabu, quando não deveria ser. A morte é apenas um passo, depois de um passo, e antes de outros mais. A morte é jornada; quando muito, transporte. Mas não destino.

A Morte é continuidade da Vida. As duas se complementam, e uma gera a outra. Observe que a Vida nutre, e a Morte consome, para então gerar mais vida, que será consumida novamente pela morte. É um ciclo infindável.

Explicito desde já que a minha visão é reencarnacionista e pagã. Então é sob esta ótica que este texto será escrito.

Ritos Fúnebres

Talvez os ritos mais conhecidos de preparo para o “pós-vida” são de origem egípcia. E falando em Egito, a visão deles sobre a morte advinha do fato de acreditarem na imortalidade. Acreditavam que a Morte era apenas uma interrupção temporária da Vida, é tanto que embalsamavam seus mortos, mumificando-os, acreditando que a alma voltaria ao corpo. Certamente, este era um processo ritualístico bastante demorado e cheio de significados, para mais informações, pesquise por “Rito de Abertura da Boca”.

Continuando a falar de ritos fúnebres, agora citando os nórdicos, tenho certeza que você já ouviu falar em cremações, ou pessoas enterradas em barcos juntos de suas riquezas. Também haviam os barcos funerais lançados às águas, e posteriormente colocados em chamas através de uma flecha acesa. Tudo dependia de o quão influente (rica) era a pessoa. Muitos guerreiros nórdicos, também, eram enterrados junto com seus cavalos em sinal de sua amizade e companheirismo. Já os criminosos eram pendurados em árvores, postumamente, até apodrecerem com a ação do tempo, do vento, e da chuva.

Na Roma antiga, os corpos eram colocados em tumbas ou cremados, costumeiramente, e nove dias após o funeral um banquete era celebrado, com libações sobre a tumba, cova, ou cinzas da pessoa. Durante este nove dias, era dito que a casa da pessoa falecida estava manchada, ou funesta (mortal). Ramos de cipreste eram pendurados, para alertar os transeuntes. Ao fim dos nove dias, a casa era varrida de dentro para fora, para expurgá-la simbolicamente do toque da morte.

Nos ritos póstumos hindus, os adultos costumeiramente são cremados e as crianças enterradas, geralmente. O que acontece dentro de um dia após o falecimento. Para o caso da cremação, o corpo do falecido adulto é lavado, envolto em tecido, e levado à área de cremação, posicionado com os pés voltados para o Sul antes das chamas arderem.

Hoje em dia, o rito póstumo mais comum aqui no Brasil é o enterro seguido de sepultamento. Os cristãos costumam dizer que é pelo fato de que, para eles, “…do pó (terra) viestes, e para o pó retornarás…”. Em sepultamentos pagãos, o “enterro” pode ser visto como a devolução daquele corpo à terra que o nutriu por toda sua existência, a se transformar em energia para nutrir a terra, que nutrirá outros tantos mais. O enterro como procissão é de origem grega, a cargo de informação.

Para muitos pagãos, especialmente wiccanianos, a cerimônia de despedida é chamada de Requiem, palavra com origem no latim que significa “repouso” ou “descanso“. É o último rito de passagem em algumas tradições de bruxaria, como uma recomendação do espírito da pessoa falecida a um pós-vida de preparo até a próxima existência.

Deixei alguns links nas referências do texto, com informações mais detalhadas. A ideia aqui é só demonstrar a importância dos ritos fúnebres nas culturas e regiões diversas do mundo, ao longo das eras.

Luto

Sem sombra de dúvidas, todos nós já passamos pelo processo de “perda” de algum ente querido. Sinto muito, de verdade, se você passou por isto recentemente. Compartilho de sua dor. Em janeiro deste ano (2021) meu irmão mais novo veio a falecer, vítima de um acidente de moto. A perda é uma coisa curiosa, não é? Em muitos desperta uma tristeza profunda. Em outros, revela necessidades de preenchimento daquele espaço. E em outros, talvez mais fechados, deixa marcas muito profundas, também, como uma saudade infindável. E tudo bem. Cada pessoa sente de uma forma diferente, e certamente expressa esses sentimentos à sua maneira. Não existe uma única maneira correta de se expressar. O correto é a maneira que funciona. Aprenda a deixar ir. Maya Angelou dizia que “o amor liberta“, e transcrevo parte de sua fala a seguir, em tradução pessoal.

“O amor liberta, não apenas contém – isto é apenas ego. O amor liberta. Não aprisiona. O amor diz: ‘Eu te amo. Eu te amo se você estiver na China. Eu te amo se você estiver do outro lado da cidade. Eu te amo se você estiver no Harlem. Eu te amo. Eu gostaria de estar perto de você. Eu gostaria de ter seus braços em volta de mim. Eu gostaria de ouvir sua voz no meu ouvido. Mas isso não é possível agora, então eu te amo. Vai.‘.”


(Maya Angelou)

É por muitas vezes dolorido, perder as conexões que fazemos. Aquelas pessoas, cujo contato transcende e perpassa existências. Por vezes, as almas se encontraram em vidas passadas e hão de se encontrar novamente, em outras, posteriores. A ausência machuca, e as boas memórias às vezes são tudo o que fica como lembrança.

Alguns espíritos não conseguem fazer a passagem por estarem presos a outras pessoas. Exatamente por esse sentimento de prisão. De pertencimento a um local que já não os comporta mais. Liberte. Deixe ir quem já não pode ficar. É apenas mais uma etapa.

E não, deixar ir não significa deixar de se importar. Muito pelo contrário, deixar ir é um ato de imenso amor e comprometimento. A evolução espiritual não acaba na morte. Aquela pessoa, nesta vida, viveu tudo o que havia para ser vivido. E que haja outras mais!

Espíritos & Pós-Vida

Com certeza você já ouviu falar em espíritos. Espíritos são basicamente a parte etérea, intangível, espiritual (como o nome sugere) ligada a um corpo físico em uma experiência de vida (ou não).

Por algum motivo, depois da morte física, alguns deles continuam neste plano, talvez até mesmo perto de nós. Seja a trabalho, ou por não conseguirem fazer a passagem. Por sentirem desorientação, ou por não conseguirem aceitar que sua experiência física chegou ao fim. Muitos, em vida, se comprometem a trabalhar espiritualmente para alguma divindade assim que sua morte física chegar, mas este não é um problema. Problema mesmo é quando um espírito não deveria estar neste mundo, e continua.

Como Auxiliar/Incentivar um Espírito a Fazer a Passagem

Sente que algum espírito de alguém que você conhece está tendo dificuldade em encarar a passagem e seguir, ou simplesmente quer irradiar um pouco de amor e luz para quem partiu? Ofereça luz e calor. Pode oferecer a luz de uma vela (de qualquer cor, o que importa é a chama), intencionando que o caminho do espírito que fez a passagem se ilumine. Que a escuridão não o perturbe ou consuma. Que não se sinta só. Mentalize todo o seu amor, mas seja firme. O espírito precisa seguir.

Na dúvida, intencione que o espírito consiga seguir o seu caminho. Que tenha forças, que consiga completar a passagem. Coloque suas crenças na sua intenção, mas antes de tudo honre a pessoa, respeitando as crenças dela.

Caso você tenha devoção a alguma divindade ligada à Morte e aos caminhos pós-Morte, pode pedir seu direcionamento.

Buuuu!

Na grande maioria das vezes um espírito não terá como causar qualquer dano a você. Este plano é físico, e ele é etéreo, já está todo errado daí. (Risos.) Entretanto, caso você se depare com algum espírito, em algum momento de sua vida, tenha em mente algumas diretrizes que podem te ajudar a entender a situação.

  • Não perca a cabeça! Pode ser que este espírito tenha aparecido para você por achar que você pode ajudá-lo. E talvez até possa. Se vai… aí já é um pepino seu. Lembrando que não é obrigação sua ajudar espírito nenhum. E às vezes, pode ser que não esteja a fim. E tudo bem! Mas se alguma coisa fora do normal acontece – como a aparição de um em seu território, me desculpe lhe dizer, provavelmente é culpa sua. Fica aí o alerta para reforçar suas proteções mágicas.
  • Bana, se necessário ou conveniente. E quase sempre será. Especialmente quando não quiser ter parte nenhuma nesta história.
  • Seja firme! Seu espaço é seu, e nenhuma força externa pode “fazer e acontecer” dentro dele sem a sua permissão. Na dúvida um “pode se mandar daqui” é bem válido. (Risos.)
  • Caso queira e possa ajudar, ofereça um pouco de luz para o espírito encontrar o seu caminho. Na dúvida, peça a ajuda de alguma divindade relacionada. Olha lá, pessoa enluarada, jamais mexa com algo que não consegue lidar. E isto inclui espíritos.

Algumas Divindades Relacionadas à Morte e/ou aos Mortos

CELTAS
Donn, o senhor dos mortos.
Mannanan, deus do “outro mundo”, o mundo dos mortos.

EGÍPCIAS
Anúbis, deus guardião dos mortos, da mumificação e da vida após a morte.
Néftis, deusa dos mortos.
Osíris, deus do mundo inferior.

IORUBÁ
Iku, a personificação da morte.

GREGAS
Caronte, o barqueiro que conduz os mortos ao mundo inferior, visto como uma divindade por muitos.
Hades, deus dos mortos e do mundo inferior.
Hécate, deusa da magia, dos espíritos e fantasmas. Também sendo vista como um psicopompo.
Hermes, deus encarregado de escoltar as almas ao mundo inferior.
Macária, deusa da boa morte.
Melinoe, deusa dos fantasmas e espíritos.
Perséfone, rainha do mundo inferior. Esposa de Hades.
Tânatos, deus grego que personifica o conceito de Morte.

HINDU
Chitragupta, deus da justiça após a morte. A ele era incumbida a tarefa de decidir o destino dos mortos.
Dhumavati, deusa do sofrimento, da solidão e do decaimento relacionado à morte.
Yama, deus da morte e das punições póstumas.

NÓRDICAS
Freyja, deusa da morte em batalha. Metade dos mortos em batalha era escolhida por ela.
Hel, deusa da morte, que recolhia as almas daqueles que não tinham uma morte “honrosa”, como em batalha.
Odin, ao qual metade dos mortos em batalha eram atribuídos a ele.
Rán, deusa dos mares que recolhia os mortos em sua rede.

ROMANAS
Mors, ou Morte, divindade que personificava a morte.
Plutão, deus dos mortos e do mundo inferior.
Prosérpina, rainha do mundo inferior. Esposa de Plutão.
Trivia, deusa da magia, dos espíritos e fantasmas. Suas áreas de ação eram encruzilhadas e cemitérios.

Saudade & Ancestralidade

Já pensou em manter um altar aos seus ancestrais? Que são todos os espíritos conectados ao seu através de alguma linhagem. Seja por sangue, afinidades, ou ideais. Nele você pode lembrar destas pessoas, e honrá-las, oferecendo-lhes luz e/amor sempre que quiser ou sentir necessário. Pode manter um altar ancestral fixo, em algum cômodo da sua casa, também. Ou pode fazer um altar passageiro, em decorrência de algum festival relacionado à morte ou aos mortos.

Eu não vou me delongar muito neste tema porquê já existe um post aqui no blog sobre ancestralidade. Clique aqui para acessá-lo.

Luã Musi

http://www.bruxodelua.com
@bruxodelua


Referências

• Canadean Museum of History: “Life After Death“;
• Wikipedia: “Funeral“;
• Ash Memorial: “Cerimônias Religiosas: Como é Feita a Despedida para Cada Religião“;

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