A Sombra

A Sombra é uma contraparte do todo. Existe. Indubitavelmente. Quando eu me aproximo de uma lâmpada, a luz projeta a minha sombra às minhas costas. E eu não a percebo. Como a Bruxaria é um caminho de autoconhecimento, não dá simplesmente para viver olhando apenas para a luz e esquecer de que a sombra projetada é minha. É algo meu. E como algo meu, é algo para se dar a devida atenção. Só conseguimos observar as fases da Lua pela sombra da Terra, que o Sol projeta nela. E também, independente de onde o Sol “focalize”, na Terra, haverá sempre outra metade, que não estará sendo iluminada, mas mesmo assim não é menos importante.


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Bênçãos, e boa jornada!


Nota do autor: Bruxarada, é sempre um prazer fazer uma postagem aqui no Bruxo de Lua. Gostaria, contudo, de deixar explícito que eu não sou profissional de psicologia, apenas um bruxo curioso que se interessa muito pelo tema, e gostaria de partilhar suas percepções de acordo com suas vivências e experiências oriundas de um trabalho de autoconhecimento. Boa leitura!

A Sombra

Primeiramente, a Sombra não é um conceito exclusivo da bruxaria. Na verdade, é um conceito da psicologia, fomentado por Carl Gustav Jung, do qual você certamente deve ter ouvido falar. Jung foi um psicólogo suíço, pioneiro na psicologia analítica, dentre muitas outras coisas. Este seu conceito, a Sombra, representa uma parte da personalidade de um indivíduo, um acúmulo de suas emoções, sentimentos, medos, desejos, inseguranças, traumas, e experiências reprimidas em seu subconsciente. Tudo o que não está em evidência. Traços negados, e na maioria das vezes reprimidos. Resumindo, a Sombra é um acúmulo de traços reprimidos que impedem um indivíduo de expressar-se verdadeiramente.

E por que é tão importante estudar a Sombra, num contexto de bruxaria? Justamente porque a bruxaria é uma constante jornada de autoconhecimento. É uma busca incessante do conhecimento de todo o exterior através de como este ressoa intrinsecamente.

“Não fuja da sua sombra!”

Morgana, League of Legends

Mas vamos lá, nem tudo o que está na Sombra é negativo, muito pelo contrário. Ao “navegar” pela sombra é possível descobrir potenciais ocultos, reprimidos. É possível perceber traços que à primeira vista venham a ser classificados como negativos, segundo a sua percepção, e depois perceber que o que você atribuía como algo negativo era simplesmente um comportamento reprimido, que alguém ou alguma situação te fez achar que era ruim, e na verdade se mostre agora algo ótimo para o seu desenvolvimento. E a recíproca é verdadeira.

E como trabalhar a Sombra? Basicamente, trazendo-a à tona, observando. Trazendo-a à luz.

Shadow Work
(Trabalhando a Sombra)

Shadow Work é, de uma maneira bem simplificada, terapia de você para você. É acolher a sua Sombra, olhar para si com compaixão, exercitar a autocompreensão e o perdão, e buscar entender-se numa busca diária de descoberta de si, navegando em si mesme.

A pergunta de milhões é “por que razão eu sou (ou ajo) de determinada maneira?”. E a partir daí é só ladeira “abaixo” – ênfase na brincadeira com esta palavra: é necessário mergulhar profundamente em si para entender os aspectos de sua Sombra que te fazem agir de um jeito ou de outro. E é uma jornada tortuosa, muitas vezes. E observar não é o suficiente. É preciso abrir espaço para entendê-la, para entender-se. É necessário olhar-se de forma analítica, sem excluir a autocompaixão. E aceitar alguns traços que se tornaram parte de você também podem ser uma ramificação deste caminho de cura interior. A partir do momento que você toma consciência de que “eu sou ou ajo assim por causa de tal situação” você já tem a faca e o queijo na mão. Agora, cortar o queijo e apreciar pedaço por pedaço, ou comê-lo com as mãos a mordidas e jogar a faca fora, é você quem diz.

É importantíssima qualquer facilitação desta jornada. Consultar um psicólogo é providencial, mas não é essencial no trabalho da Sombra, no que cabe ao seu entendimento de si. Toda a ajuda é válida. Mas no fim das contas, é uma jornada de entendimento sua, que pode ser feita por você somente. Embora ter outra pessoa para te guiar possa facilitar e tornar mais simples e dinâmico o processo. E por mais que venha a receber ajuda, o trabalho mais importante é por sua conta.

Como Trabalhar a Sombra

Antes de tudo, aprenda a conversar consigo. Aprenda a se ouvir, a se conhecer. Aprenda a entender o que pode mudar o seu humor, que tipo de situação pode ser um gatilho e desencadear algum tipo de mudança… este tipo de coisa. Preste atenção em si.

Exercite fazer a si mesme as perguntas a seguir:

• “O que estou sentindo?
• “Por que estou sentindo isto?
• “O me fez me sentí-lo?
• “Já me senti assim antes?
• “Quando me senti assim antes?

Observe, então, como você reage a estas perguntas. E que tipo de respostas você se dá?

Observe também como você age, especialmente quando a escolha só depende de você. E como você se sente a respeito. Se sente na obrigação de agir de alguma maneira porque alguém espera que o faça? E quando você age de determinada maneira, o que sente ao fazê-lo? Como você responde a este sentimento? De onde ele vem? Entende!? Shadow Work é trabalho constante. E a busca do entendimento de si se faz se questionar a todo momento. Quando perceber, as menores questões servirão para trabalhar a Sombra.

“Abrace a sombra… ou morra na escuridão!”

Zed, League of Legends

É muito importante ter um tempo para exclusivamente fazer este trabalho. Em um local calmo, onde não venha a ter interrupções, e possa dar vazão aos seus sentimentos da forma que achar mais adequada. E lembre-se de jamais antagonizar sua Sombra. Ela não é vilã. É uma parte de você. Aceite-a. Isto torna mais fácil trabalhá-la; afinal, como integrar algo que se nega?

Precauções e Dicas

• Trabalhar a sombra é algo sério e imensamente significativo. Não é brincadeira! Você certamente vai revisitar coisas de si que talvez não queira rever, ou não sinta que está pronto ou pronta para trabalhá-las. Então, caso tenha passado por alguma situação traumática, o mais indicado é buscar ajuda profissional psicológica, primeiro.

• Se alguma situação durante o trabalho puder engatilhar alguma emoção, sentimento, vontade ou necessidade que se mostre nociva a você, é interessante ter alguém que possa te guiar, do seu lado. Mesmo que o trabalho de nadar em você seja unicamente seu, pode ser útil ter alguém que possa atuar como um farol, ao menos para que você possa se orientar e não se sentir só.

Não minta para si. É normal que tentemos criar desculpas ou colocar justificativas nas coisas para que não nos sintamos mal a respeito ou para que nos sintamos melhor. Aprenda a admitir seus erros e tratar como sua “a parte que lhe cabe” de cada situação.

• Talvez seja uma boa ideia contatar alguma divindade e pedir auxílio neste trabalho, se para você parecer uma boa ideia. Dedique um tempinho para conhecer melhor a divindade que escolher para te ajudar, e estreite os laços. Se não sabe como, pode ler o texto “Panteão Pessoal” para ter uma base. Mas não se escore nesta muleta, a divindade não vai trabalhar sua Sombra por você, mas com você. Um guia é um guia, mas quem desbrava é você.

• Dê o primeiro passo. Grandes jornadas começam com um passo pequeno. E se este post te inspirou, quem sabe não tem uma Sombra maravilhosa a ser trabalhada aí dentro!?

Luã Musi

http://www.bruxodelua.com
@bruxodelua


Links Interessantes sobre o assunto

• The Witches’ Cookery: “What is Shadow Work and how to do it“;
• Christina Lopes, DPT, MPH: “What Is SHADOW WORK? [5 Effective Ways To Do It!]“.

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