Sagrado

Meu sagrado é colorido!


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Sagrado Feminino versus Sagrado Masculino

Muito se fala sobre estas duas potências. Infelizmente de forma errônea e ineficaz na maioria das vezes. Por minhas andanças e pesquisas, muito comum foi ouvir que mulheres precisam trabalhar seu sagrado feminino e homens precisam trabalhar o sagrado masculino. Como se todos fôssemos unipolarizados energeticamente e intrinsecamente imutáveis. E como se fosse ou uma coisa ou outra.

Entretanto, esta ideia excludente possibilita um debate extremamente necessário sobre o Sagrado. E em vista de estarmos no mês do Orgulho LGBTQIAP+, sendo hoje o dia do Orgulho LGBTQIA+, quis trazer esta postagem com algumas reflexões que julgo pertinentes e necessárias.

Menino veste azul, e menina veste rosa?

Há homens que expressam o que a sociedade entende por feminino muito naturalmente, de forma inata. O inverso também acontece, certamente; mulheres expressando o que a sociedade entende como masculino. E a própria ideia de homem expressar um comportamento feminino e mulher expressar um comportamento masculino, é uma antítese, na minha singela opinião. Como pode alguém expressar um comportamento que não é seu?

E aí, sempre caímos nestas caixinhas, não é mesmo? Ou se trabalha o feminino, ou se trabalha o masculino. Como se fossem as únicas polaridades existentes na orientação de gênero. Como se a sexualidade fosse um questionário de marcar, sendo preciso marcar o conteúdo nas caixinhas por identificação, aproximação, ou muitas vezes falta destas.

Se homens exprimem traços considerados femininos, e se entendem homens, os traços não são femininos, vistos que são expressos por homens. Se mulheres exprimem traços considerados masculinos, estes traços não são masculinos, afinal, são mulheres expressando-os.

O que nos leva a outra questão: existem pessoas que não se identificam com o gênero masculino ou com o feminino. E existem pessoas que em algum momento se identificam com o masculino, e em outro com o feminino. Suas manifestações de sagrado são inválidas, por não serem necessariamente parte deste binarismo? É óbvio que não. Sobretudo, é importante que isto seja evidenciado, para que isto chegue a outras pessoas que possam se identificar.

Sol Masculino & Lua Feminina?

Não é bem por aí. Mas não é bem por aí mesmo. Posso citar Máni, deus nórdico que personifica a Lua, e sua irmã, Sunna, deusa-Sol. Ainda cito Thoth, dos egípcios, originalmente associado à Lua; Amaterasu, uma deusa japonesa solar; Shiva, que claramente tem um crescente lunar em seus cabelos; e Sekhmet, que carrega um disco solar em sua cabeça.

Basta, gente. Chega de associar Lua a feminilidade e Sol a masculinidade. Precisamos parar de associar divindades a conceitos binários de gênero. Associações são feitas para que arquétipos sejam entendidos de forma mais fácil, entretanto, vamos combinar… 2022.

Meu Sagrado é Colorido!

Eu sou um homem cisgênero. Seguindo esta afirmação, baseado no senso errático existente em muitos grupos da comunidade mágica, eu deveria trabalhar a manifestação do “meu sagrado masculino” prioritariamente, por associação. É importante, irrefutavelmente, trabalhar o sagrado. Mas meu sagrado não é apenas masculino. E nem tampouco apenas masculino e/ou feminino. Meu sagrado está, paradoxalmente, entre e além destes entendimentos.

O Sagrado é expresso de diversas maneiras ao longo dos tempos. Sob várias roupagens. Várias divindades expressam a pluralidade da humanidade. Em suas diversas formas de viver, amar, se expressar e se relacionar com a sociedade. A própria natureza nos mostra pluralidade, e como não considerar sagrado algo que é natural?

Divindades LGBTQIAP+

Como é mês do Orgulho, nada mais justo que falar de algumas divindades que, para o choro de muitas pessoas, são LGBTQIAP+. Mas pode morder a língua até sangrar. Não muda nada.

Afrodite – A deificação do amor. Safo, de Lesbos, contou muitos poemas homoeróticos, nomeando Afrodite como uma deusa matrona de homossexuais, especialmente lésbicas.

Agni – O deus ígneo hindu é representado sendo consorte da deusa Svaha e do deus Soma.

Antínoo Antínoo viveu como parceiro amoroso do imperador romano Adriano. Tendo este último insistido na deificação do primeiro, ascendendo o amado postumamente ao posto de divindade com reconhecimento popular. Hoje em dia, a Religio Antinoi é bastante difundida.

Apolo – Desde Dafne a Jacinto, Apolo teve inúmeras paixões de diversos gêneros, também.

Ardhanishvara – Nesta forma, Shiva se funde a Parvati, em uma divindade multigênero. Metade de seu corpo representa traços da deusa, e metade mostra traços do deus.

Ártemis – Em algumas versões dos mitos, a deusa pode ser entendida como assexual. Em outras, como lésbica e poliamorosa, sendo Calisto, em uma destas versões, sua amante.

Atum – Divindade egípcia representada como masculina e feminina ao mesmo tempo.

Dioníso Adônis é um dos seus mais difundidos amores, além de Ariadne.

Eros – Como filho de Afrodite, Eros é visto como a deificação do amor erótico, comum a todos os gêneros e expressões de identidade.

Hermafrodito Hermafrodito é, talvez, a primeira sabida representação intersexual.

Loki Sleipnir, o cavalo de Odin, é filho de Svaðilfari (um cavalo extremamente veloz e forte, na mitologia nórdica) e Loki, que o concebeu sob a forma de uma égua.

– O deus é comumente referido perseguindo homens e mulheres.

Zeus – Ao contrário de Hera, a deusa que o desposava, Zeus teve muitos encontros sexuais com mortais e divindades de diversos gêneros. Como exemplo muito conhecido, cito Ganímedes, um mortal dito ser o homem mais bonito da Grécia, que ascendeu ao Olimpo depois de Zeus se apaixonar por ele e raptá-lo, sob a forma de uma águia gigante. Ganímedes se tornou uma divindade relacionada ao amor homossexual, assim como Antínoo.

Luã Musi

http://www.bruxodelua.com
@bruxodelua


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